Os movimentos de massas, partidos políticos, governos, regimes e ideologias tem contribuído para o processo de modernização de democratização principalmente na América Latina. A migração de pessoas do campo para as grandes cidades latino-americanas formam as “massas marginais” que são pessoas sem compreensão dos valores sócio-culturais, presas fáceis da demagogia dos líderes populistas.
Essas massas recém constituídas se concentram nas periferias dos grandes centros sociais onde não há acesso a vários recursos, principalmente a cultura, isso contribui para a revolução de suas expectativas e atitudes levando essas pessoas a aceitação dos mais diversos padrões e valores sócio-culturais, inclusive os de caráter político. Como a sociedade urbana não dispõe de instituições políticas para a adesão e incorporação dessas massas, os mesmos ficam a mercê dos populistas.
É complexa a realidade latino-americana da época do populismo, pois ela é repleta de heterogêneos, não contemporâneos, cheia de sobrevivências culturais e arcaísmos. Mas essa realidade vem mudando pouco a pouco à medida que se reduz o peso do tradicional e cresce a importância do moderno. A sociedade urbano-industrial, democrática e racional está no limite dessa balança e é no curso desta transição que surgem os movimentos populistas compostos de grandes massas de pouca ou nenhuma experiência no mundo urbano.
Gino Germani caracteriza os movimentos populistas como fenômenos sócio-culturais característicos da época de transição da sociedade tradicional para a sociedade urbano-industrial ou moderna. Ele também diz que as sociedades latino-americanas estão permeadas de assincronias sociais, culturais, políticas e outras, um exemplo disso e a utilização igualitária de tecnologia arcaica e moderna na produção econômica. Assim, para Germani o populismo é um movimento de massas diluídas pela demagogia das linhas de classe.
Para Torcuato S. Di Tella os movimentos populistas devem ser compreendidos nos quadros de mudança social que singularizam a história da América Latina nas décadas de vinte aos sessenta. Para ele as massas que vieram das zonas rurais sofreriam forte impacto do “efeito demonstração” que provoca nessas pessoas o aumento da vontade de crescer socialmente quanto economicamente, como resultado essas massas recém chegadas seriam facilmente mobilizadas por lideranças carismáticas em nome de ideologias demagógicas devido à inexperiência política e debilidade organizatória.
Já Jorge Graciarena ressaltou o caráter mistificador da ideologia ao líder, como no justicialismo peronista ou no trabalhismo varguista. Estes movimentos se caracterizaram por serem voltados contra a oligarquia e o sistema vigente. A fonte de poder é o líder e não a ideologia seguindo Graciarena, assim o líder pode mudar seus interesses com certa liberdade, desde que as idéias sejam criação do líder.
Todos os três pesquisadores deram destaque nas condições sociais e políticas que contribuíram na formação da democracia na América Latina. E o populismo acabou sendo um fenômeno que serviu de atalho no caminho a se percorrer para chegar a uma sociedade democrática. As armas ou os meios que contribuíram no populismo são expressões como: revolução de expectativas, efeito demonstração ou deslumbramento como prefere chamar Germani e incongruência de status; a demagogia e carisma dos líderes de massa, o apelo emocional, a tendência autoritária, o desprezo pela liberdade civil e os traços fascistas.
Olhando pelo lado do carisma e popularidade, muitos dizem que Lula é um populista por concentrar grandes investimentos do seu governo com programas sociais voltados as massas menos favorecidas.
Rogério A. F. OLIVEIRA
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